domingo, 26 de janeiro de 2014

Presidente da FUNESC, Lau Siqueira, em Alagoa Grande

Teatro PAÓ
Neste último sábado (25), no Teatro PAÓ, em Alagoa Grande-PB, aconteceu mais uma “Roda de Conversa” entre o presidente da FUNESC, Lau Siqueira e artistas do brejo paraibano. Seu principal objetivo foi discutir a ocupação do ESPAÇO CULTURAL e atrações para o FENARTE.

Na oportunidade, Lau Siqueira falou das expectativas para os próximos FENART’s e da importância do reconhecimento à adversidade cultural da Paraíba. “Fazer corrente com o que se tem mesmo, a ideia é cativar o público paraibano”. Afirmou.


Interagindo com ambos, alertou para a necessidade de uma política pública voltada para esse setor, pensamento defendido por Edno Santiago, membro da “Mesa de Cultura” de Serra da Raiz e representante da ASSMUSCOM (Associação dos Músicos e Compositores do Brejo). Afinal, seria uma questão de informação, já que a cultura dispõe de 5% do PIB anual.



A abertura foi presidida por Severino Antônio (Bibiu), Conselheiro Estadual de Cultura e como cooperador, o professor Guedes, ambos da cidade anfitriã. Seguindo a palavra facultada aos presentes, Javancir, abrilhantou o evento declamando, dentre outros, "O Acendedor de Lampiões” (Jorge de Lima) e “Debaixo do Tamarindo” (Augusto dos Anjos).


Por Adriano Miguel 



Fotos:






sábado, 25 de janeiro de 2014

Ney Matogrosso “Atento aos Sinais”

Completando 40 anos do meteórico sucesso dos Secos & Molhados, Ney Matogrosso vem com seu novo cd “Atento aos Sinais”. O título é justificado pelo próprio artista: “não adianta ficar parado, tem que se correr atrás do que se quer”. E parece que Ney foi e acertou em alguns bons alvos. Das 14 faixas, 8 são de compositores pouco conhecidos do grande público. A nova geração da cena musical brasileira foi brindada na seleção do repertório.Louve-se a atitude despojada do cantor que bem poderia manter-se, serena e confortavelmente, no trono de intérprete consagrado. Não é segredo que um grande número de autores famosos ficaria bem feliz...Continuar lendo


Por Marcio Paschoal (Revista Música Brasileira)

Adeus a Lydia Alimonda

Lydia Alimonda (1917-2014)


Lydia Alimonda, uma das principais personalidades da música clássica paulista do século passado, morreu no dia 22 de janeiro, aos 96 anos de idade. Nascida em Araraquara, Lydia era irmã dos também músicos Heitor (piano e cravo) e Altéia Alimonda (violino) – ambos já falecidos.

Diplomada pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Lydia completou seus estudos em Nova York (EUA), Zurique (Suíça) e Viena (Áustria). Teve atuação marcante como solista tanto no Brasil quanto na Europa, e entre 1946 e 1950 dedicou-se à difusão da música brasileira na Suíça, apresentando peças de Cláudio Santoro, Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos em rádios locais. 

Em 1959 fundou com sua irmã Altéia o Duo Alimonda, que se apresentou por todo o Brasil. Com a participação do... Continuar lendo


Por Clássico Editorial (Revista Concerto) 

A maldição do samba

Samba, a gente não perde o prazer de cantar
E fazem de tudo pra silenciar
A batucada dos nossos tantans....

Fundo de Quintal

Estamos em 2013. Juro que evito ao máximo bater na mesma tecla, mas às vezes isso é impossível. Dentro da realidade em que vivemos, esbarro em situações que considero extremamente semelhantes e, por não conseguir fingir que não as vejo, retomo de onde parei.

Definitivamente, um dos melhores livros que já li sobre a história do samba é Desde que o samba é samba, de Paulo Lins. Que pesquisa maravilhosa e que passeio por nossa história. Um material como aquele deveria ir para as escolas como retrato fiel de nossa cultura. Tudo muito rico, os primórdios sofridos e esperançosos do que hoje é considerado (apesar da discriminação que ainda sofre) a alma do povo brasileiro. Povo brasileiro que também é título de outro livro, de Darcy Ribeiro, que deveria ser obrigatório na escola.

Embora não haja (ou haja) ligação direta aparentemente, minha cabeça não consegue não ligar os pontos do livro de Paulo Lins com o livro do escritor togolês Kangni Alem. O professor Kangni Alem escreveu Escravos, em que retrata um pouco da realidade entre o final do século XVIII e o início do século XIX, quando algumas das revoltas negras, como a dos Malês, por exemplo, explodiram no Brasil gerando uma histeria antinegros pelas colônias. A perturbação da ordem escravista deu origem ao hábito de enviar os negros “indesejáveis” de volta à África.

Tanto o livro de Paulo Lins quanto o de Kangni Alem retratam de maneira crua a situação social dos negros no Brasil, em dois tempos que carecem de documentação. A miséria pré e pós-escravidão, filha do racismo com ódio de classes, empurrou os pretos para a favela, e ali nasceu e foi aperfeiçoado o samba, com gente do Rio de Janeiro e da Bahia. Assim a favela se tornou a nova senzala. O samba também já cantou isso.

Nesta semana recebi uma notícia sobre uma abordagem policial (in)comum no Espírito Santo. Jovens pretos foram repreendidos por estar em um shopping. Não eram um ou dois. Eram dezenas. Estavam “perturbando a ordem pública” simplesmente por estar naquele ambiente que, obviamente, não foi construído para eles.

A imagem forte do grupo após ser “controlado” pela polícia me remeteu a tantas outras do meu imaginário... me lembrou do pôster do filme Carandiru, com todos os detentos sentados e cabisbaixos no pátio, me lembrou africanos capturados a esperar a chegada do navio negreiro. Mas o que mais me intrigou foi que não havia crime nenhum que justificasse a ação da polícia. Ação essa considerada legítima pelos órgãos da Justiça no Espírito Santo. Que tristeza observar isso no meu país em pleno século XXI.

O que resta para nos alegrar é cantar e dançar. Não custa dinheiro, nos permite sermos reis e rainhas a nossa maneira. O canto e a dança são nossas poucas ou únicas heranças.
Ao que me parece, os jovens do Espírito Santo foram para o shopping após um tumulto em um baile funk, usaram o local para se proteger da confusão. Os outros frequentadores, ao verem aquela quantidade de pretos, logo imaginaram que se tratava de um arrastão. Triste.
Kangni Alem narrou isso no Brasil-Colônia e na África. Paulo Lins, em algumas passagens de seu livro, descreveu cenas que em muito lembram essa perseguição. O samba sobreviveu cantando, nos deus frutos fascinantes. Mas eu estou cansado de sobreviver, quero viver, viver livre disso. Não há um gênero musical fruto da música negra que não tenha cantado essas mazelas que vivemos. Nenhum, do jazz ao funk carioca. É a nossa forma de mostrar ao mundo a agonia em que vivemos. Mas, tristemente, encerro com  a seguinte pergunta: até quando sobreviveremos?


Por Emicida (Revista Piauí)