Saiu Chico César, entrou Lau Siqueira, agora, ex-presidente da Fundação Espaço Cultural da
Paraíba (Funesc) e atual ocupante do gabinete da secretaria de
Cultura. Radicado na Paraíba há mais de 20 anos, o poeta gaúcho foi uma
escolha que contou com o respaldo da classe artística e provocou
expectativas positivas em torno da nova gestão.
Mas, o que os vários segmentos da cultura realmente esperam de Lau Siqueira à frente da pasta? O JORNAL DA PARAÍBA entrevistou artistas e militantes culturais para chegar às respostas.
ARTES VISUAIS
Área mais carente de recursos no atual panorama cultural do Estado,
segundo o artista plástico, pesquisador e curador Dyógenes Chaves, as
artes visuais sofrem com a falta de equanimidade na distribuição dos
fomentos. "A divisão dos recursos para cada área deve ser, senão
equitativa, pelo menos proporcional", defende Dyógenes, que ressalta o
desempenho de Chico César dentro do seu metiê (a música), mas critica o
papel fora dele. "Não houve um só salão de arte ou competição, que
ainda têm um caráter importante na revelação de novos artistas. Além
disso, ainda temos poucas atividades de formação e não avançamos na
criação de um museu de arte contemporânea."
LITERATURA E CORDEL
Falando em metiê, os colegas de ofício de Lau Siqueira torcem por uma
continuidade e reforço do trabalho realizado na Funesc. "Apesar dos
editais que publicaram muitos autores, a literatura não teve a força
operacional e organizacional de outros setores", reflete o escritor
Roberto Menezes, evocando também o exemplo da música: "Veja a divulgação
bem feita do projeto Music From Paraíba, é um modelo para se fazer na
literatura, além do fomento a feiras literárias, como a FLIBO, apoio a
saraus, acolhimento de grupos literários e a interação com outros
setores artísticos."
O poeta Beto Brito lembra que em 2015 serão comemorados os 150 anos de
Leandro Gomes de Barros (1885-1918), e torce para que a data atraia a
atenção do gestor: "O cordel é uma forma de cultura genuinamente
paraibana e, embora Lau seja um poeta tradicional, tenho certeza que ele
sabe do seu valor."
MÚSICA
A música vai bem das pernas, mas o cantor e compositor Jonathas Falcão
acredita que ainda há como melhorar com o constante mapeamento das
expressões que estão surgindo: "Sensibilidade para fazer uma radiografia
dos artistas e colocá-los em evidência", resume em anseios o vocalista
do Seu Pereira e Coletivo 401.
TEATRO E DANÇA
A sensibilidade se agrega a outra qualidade requisitada pela diretora e
coreógrafa da Paralelo Cia. de Dança, Joyce Barbosa: "Eu espero que ele
continue demonstrando vontade e disponibilidade de conversar com os
artistas". Aptidões que precisam ser colocadas, segundo o ator Nanego
Lira, em prol de "projetos de formação e de circulação dos produtos
culturais."
AUDIOVISUAL
No cinema, o cineasta Ely Marques pede a palavra: "Falta
profissionalismo, competência, organização e sensibilidade dos poderes
públicos para criar um ambiente favorável para o desenvolvimento do
segmento audiovisual paraibano. Pois o potencial represado, da vocação
que o nosso Estado tem para o audiovisual é algo ainda imensamente
desconhecido."
EDUCAÇÃO NA FUNESC
Na nova configuração do governo, a arte-educadora Márcia Lucena, atual
secretária de Educação, vai substituir Lau Siqueira na presidência da
Funesc.
A gestora pretende levar a experiência dos anos dedicados à educação
para a cultura. "São dois bens indissociavéis", ela considera. "A
experiência que tive em uma secretaria tão capilar quanto a de Educação
vai me ajudar a tornar os equipamentos da Funesc, não apenas o Espaço
Cultural, mais ocupados e vivos." A retomada do Festival Nacional de
Artes (Fenart) é ainda uma incógnita.
Fonte: Jornal da Paraíba em 31/12/2014